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Entre ciência, conservação e união em prol dos oceanos, o Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho expande suas ações no Amapá

21/09/2026        

Do estuário amazônico à sala de aula: como o PVPBM fortalece suas ações no limite norte do peixe-boi-marinho no Brasil

O Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho (PVPBM), realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), vem ampliando sua atuação no norte do Brasil, fortalecendo as ações voltadas à conservação do peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) e seus habitats. Em 2026, o PVPBM ampliou significativamente suas ações de educação ambiental no Amapá, limite norte de distribuição da espécie no país, fortalecendo uma trajetória iniciada há mais de três décadas pela FMA na Margem Equatorial brasileira, marcada pelo compromisso e transparência.

A presença da FMA no estado do Amapá é resultado de uma história construída ao longo de mais de 30 anos de atuação na região. Essa história teve início entre 1992 e 1993, com a realização do diagnóstico da ocorrência e uso do peixe-boi no litoral norte, abrangendo os estados do Amapá, Pará e Maranhão, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). Em 2004, a instituição atuou no atendimento de um filhote órfão de peixe-boi na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) REVECOM.


A partir de 2009, a FMA ampliou sua atuação, passando a desenvolver orientação técnica, estudos de impacto ambiental em grandes empreendimentos, suporte veterinário em ações de resgate e reabilitação de mamíferos aquáticos, bem como iniciativas de sensibilização ambiental, como o Projeto Ginga do Peixe-Boi. Mais recentemente, a parceria com a Associação de Velejadores do Estado do Amapá (AVAP), iniciada em 2023, fortaleceu ainda mais essa atuação por meio da realização de mutirões de limpeza nas margens do rio Amazonas e ações de ciência cidadã e atividades de sensibilização ambiental. A cooperação entre as instituições culminou na assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica, consolidando uma agenda conjunta de conservação e criando as bases para a expansão das ações educativas do PVPBM no estado. Em 2026, essa atuação ganhou um novo impulso, com a expansão das atividades educativas para escolas públicas e comunidades locais, aproximando ainda mais a ciência, a educação ambiental e a participação social das estratégias de conservação desenvolvidas na Margem Equatorial brasileira.

 



Uma região estratégica para a conservação
A região costeiro-estuarina do Amapá é um território de enorme relevância ecológica: mais de 70% de sua extensão é legalmente protegida por unidades de conservação e outras áreas legalmente protegidas. Esse cenário abriga importantes ecossistemas costeiros, estuarinos e interiores, fundamentais para a conservação do peixe-boi, tanto marinho quanto amazônico (Trichechus inunguis), bem como diversas outras espécies aquáticas. É nesse contexto que, mais de 30 anos após o primeiro diagnóstico realizado pela FMA e parceiros na região, o PVPBM desenvolve um novo diagnóstico da distribuição e dos fatores de ameaça aos peixes-bois (Trichechus sp.), gerando informações que subsidiam políticas públicas e estratégias de conservação.


A atuação da FMA no Amapá, entretanto, vai muito além da pesquisa. Ao longo de sua trajetória no estado, a instituição prestou orientação técnica em ações de resgate, reabilitação e soltura de mamíferos aquáticos, contribuindo para tomada de decisões técnicas, a orientação de procedimentos clínicos, a realização e interpretação de exames complementares e o atendimento de necrópsias, fortalecendo a rede regional de atendimento à fauna de mamíferos aquáticos. Nesse período, participou do atendimento de 10 peixes-bois, um boto-vermelho (Inia geoffrensis), duas lontras (Lontra longicaudis), uma ariranha (Pteronura brasiliensis) e até uma baleia-minke-antártica (Balaenoptera bonaerensis). Além disso, contribuiu para a capacitação de profissionais locais, entre eles biólogos, médicos veterinários e zootecnistas, fortalecendo a capacidade técnica regional de resposta às demandas relacionadas ao manejo e à conservação de mamíferos aquáticos.

 



Educação Ambiental como Estratégia de Conservação
Em 2026, as ações educativas do PVPBM no Amapá ganharam ainda mais força. O projeto passou a desenvolver o programa Escola Amiga do Peixe-Boi-Marinho em escolas públicas de Macapá, integrando ciência, arte e sensibilização ambiental ao cotidiano dos estudantes.
Na Escola Estadual Maria Ivone de Menezes e Escola Estadual Maria do Carmo dos Anjos Viana, o Cine Peixe-Boi reuniu mais de 120 estudantes em três sessões especiais, nas quais as histórias dos peixes-bois “Astro” e “Vitória” serviram como fio condutor para reflexões sobre a conservação da espécie. Já na Escola Estadual Deuzuite Cavalcante, 23 alunos deram início às oficinas dos Agentes Mirins, uma série de encontros temáticos sobre espécies ameaçadas, tendo o peixe-boi-marinho como protagonista. Por meio de atividades como histórias em quadrinhos e quebra-cabeças artesanais, os estudantes foram convidados a refletir sobre o papel de cada um na proteção dos rios e oceanos.


Como parte do fortalecimento dessas ações, foi realizado recentemente o Curso de Formação de Educadores voltado a profissionais que atuam no atendimento a estudantes no Amapá, reunindo 27 participantes, entre professores e guarda-parques. O encontro contou com palestras voltadas à relevância ecológica e estratégica das Unidades de Conservação para a manutenção da biodiversidade, às populações tradicionais amazônicas, bem como à educação ambiental aplicada à conservação de espécies ameaçadas, com ênfase nos peixes-bois, além de momentos de troca de experiências entre os participantes.

Diálogo Científico na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
A visita institucional ao Amapá no final de 2025 também incluiu a participação da FMA na 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada em Macapá. Durante a mesa-redonda "Biodiversidade Costeira e Marinha", a Dra. Jociery Einhardt Vergara Parente, presidente da FMA e gerente do PVPBM, apresentou as ações de conservação marinha desenvolvidas na Amazônia Azul e na Margem Equatorial brasileira, para pesquisadores, especialistas e representantes de instituições locais.


A expansão das ações do PVPBM no Amapá reafirma o compromisso da FMA com a conservação que ultrapassa fronteiras geográficas, conectando ciência, educação ambiental e participação social em diferentes regiões do Brasil. Ao integrar esses pilares, o projeto fortalece a construção de estratégias colaborativas para a conservação do peixe-boi no estuário amazônico e de outras espécies ameaçadas.


O Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho (PVPBM) é realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

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